Bifurcações Especulativas

Escrito em 1941 e publicado na compilação Ficções, em 1943,

O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam

é um conto-labirinto de Jorge Luís Borges sobre universos paralelos, tempos divergentes e caminhos não escolhidos. Inspirado neste conto,

Bifurcações EspeculativasDownload da aplicação no Google Play

é uma peça que pretende reflectir sobre as múltiplas possibilidades ao interferir no percurso natural de cada espectador durante o seu passeio pela

Feira do Livro do Porto

e pelo Jardim do Palácio de Cristal. Para tal, uma aplicação, acedida a partir de um dispositivo móvel, encontra-se permanente a sugerir bifurcacões. Perante cada bifurcação um caminho é escolhido. Do outro lado, surge um universo paralelo. Nele especula-se o que poderia ter sido.

Em

O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam,Deixo aos vários porvires (não a todos) o meu jardim de caminhos que se bifurcam.

Jorge Luís Borges, fala-nos da possibilidade das múltiplas possibilidades. Dos tempos divergentes, convergentes e paralelos. Da trama dos tempos que se bifurcam – essa trama sobre a qual tanto nos questionamos. Afinal, o que poderia ter sido? O que aconteceu no outro lado de cada escolha? Uma especulação que transforma um elementar

sistema bináriosistema composto por dois números, normalmente 0 e 1

de uma bifurcação numa complexa rede, na qual, todos os universos, os vividos e os não vividos, hipoteticamente passam a coexistir, em paralelo, num mesmo tempo.

No universo da computação, o mundo das múltiplas possibilidades encontrou um terreno fértil para a sua expansão. Nele, a partir de estruturas algorítmicas, conjuntos de regras são processados permitindo que as superfícies se tornem variáveis e/ou múltiplas num tempo comummente designado tempo-real. Neste tempo-real os fragmentos resultantes da digitalização potencialmente podem ser sempre recombinados e transformados em novas unidades significantes. Os resultados passam, então, a possibilidades, o uno a múltiplo, o fim a princípio, o fechado a aberto. E num universo não mais determinado como este, perdemo-nos tantas vezes, não pela falta de referências, mas pela multiplicidade de hipóteses.

Neste contexto, desenvolve-se as

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, no campo da multiplicidade, das possibilidades e da especulação sobre esses universos paralelos que vamos criando a cada bifurcação. Joga entre a ficção e a realidade, entre a literatura e a programação, entre a linha e a rede, partindo da constante questão/interferência binária –

esquerda ou direita

,

frente ou trás

– para bifurcar caminhos, alterar percursos e transformar os próprios espectadores em performers.

Especula-se que do outro lado... Assim inicia cada universo paralelo após a decisão sobre qual direcção tomar. Um universo gerado a partir de bifurcações de sonetos que fazem parte da memória colectiva. Para tal, cada soneto escolhido para o efeito é fragmentado em várias unidades textuais e para cada unidade é dada uma segunda opção de texto, passado o soneto a ser construído por uma série de bifurcações. Aleatoriamente o soneto é, então, (re)montado no ecrã a partir de escolhas automatizadas, sendo que

1 soneto passa potencialmente a 2000 sonetos diferentes.


Este projecto integra a exposição

Impressões Expressas

na

Feira do Livro do Porto 2016

, com curadoria de

Andreia Garcia

e arquitectura de

Diogo Aguiar Studio

.

Link para download da aplicação no Google Play (android).
Link para versão adaptada para browser.